Bugatti Veyron Vitesse

Com 1.200 cv, o Veyron Vitesse é o conversível mais rápido do mundo

Ele custa mais de 2 milhões de euros, tem 1 200 cavalos criados por 16 cilindros, passa dos 400km/h e vai de 0 a 100km/h em 2,6 segundos. Não é uma nave espacial, mas sim um automóvel especial: o Bugatti Veyron na versão Vitesse. Baseado no Grand Sport (conversível) e com o motor do Super Sport, é uma verdadeira obra de arte sobre rodas, uma concepção genial de engenharia, apesar de ser difícil conseguir uma definição que resuma a essência de algo com tanta qualidade. Dirigi-lo é uma experiência única, inesquecível, uma lembrança digna de ser contada aos netos.


Curioso lembrar que foi no jantar do Salão de Tóquio de 1997 que Ferdinand Piëch, então chefão da VW (dona da marca), rabiscou num guardanapo três motores de seis cilindros, acoplados uns aos outros, e disse que ali estava o 18-cilindros que seria o coração da Bugatti do futuro. Mas problemas térmicos levaram a um downsizing para o W16 de 8 litros, feito de quatro motores de quatro cilindros, com um turbo cada um. Foram oito anos para que o amarrotado pedaço de guardanapo se transformasse no primeiro Veyron - nome do piloto com que a Bugatti venceu suas primeiras 24 Horas de Le Mans.

Histórias à parte, chega ao momento solene do encontro com o Veyron, em Barcelona. Num primeiro momento, isso se deu em estradas secundárias, insuficientes para dar asas a esse míssil que engole os 120 metros de um campo de futebol em 1 segundo, mas que permitiram a primeira missão de reconhecimento ao lado do ex-piloto Olivier Thevenin.

É empolgante imaginar que atrás de nós está o motor que levou em 2010 o Super Sport ao recorde de velocidade para carros de série (a linha Veyron é limitada a 300 unidades, fabricadas de 2006 a 2012), com 431 km/h. Enfim chega o momento de me sentar ao volante da lenda sobre rodas, ainda na estrada. Um esportivo que, se pilotado com pé no fundo por 8 minutos, consegue aspirar até a última gota dos 100 litros de gasolina do tanque e cujo motor inala mais ar em 1 hora que um ser humano em um mês.

O Vitesse é a versão conversível do Super Sport que, em relação ao Veyron original, oferece mais 200 cv graças a quatro turbos maiores e redução da resistência interna do motor. A estrutura do monocoque foi modificada usando um composto mais reforçado de fibra de carbono. As molas foram recalibradas para compensar a diminuição da rigidez da estrutura, os amortecedores agora respondem mais depressa e, na parte superior, novas entradas canalizam mais ar aos intercoolers. Na traseira, o spoiler "sabe" quando o teto rígido está montado ou não, ajustando sua posição para que possa ser gerado o mesmo downforce em velocidades mais altas (sem capota, a máxima cai de 410 para 375 km/h). A caixa automatizada de sete marchas de dupla embreagem foi melhorada, enquanto o controle de estabilidade entra em ação um pouco mais tarde no Vitesse.

Em minhas mãos sinto o volante de três raios de alumínio com as iniciais da Bugatti ao centro, com um aro grosso e de excelente aderência, graças a um couro especial resistente ao desgaste, que lhe dá toque e aspecto de Alcantara. O interior é todo de couro, alumínio e carbono, esbanjando elegância e bom gosto. Acionado o motor, saio na posição Drive até me habituar, evitando surpresas como o kickdown que nos projetaria com velocidade de caça a jato. Os primeiros quilômetros são feitos em ritmo de passeio e o Veyron se sai muito bem - a maioria dos superesportivos sente-se tão à vontade andando devagar como peixes fora da água, mas o Vitesse se comporta como uma suave limusine. As trocas de marcha (feitas a 130 milésimos de segundo) são tão rápidas quanto suaves. Numa aceleração comum, 55% do torque está na traseira (ele tem tração nas quatro rodas), mas essa porcentagem varia em razão das condições da estrada e da própria condução.

Logo depois,Thevenin me autoriza a aumentar o ritmo. Quando piso fundo, o som abafado dos 16 cilindros atrás da nuca assume frequências mais altas e o Veyron começa a engolir o asfalto de maneira assustadora. A aceleração é vertiginosa: ele vai de 0 a 200 km/h em 7,1 segundos, segundo a marca. Todo o movimento para a frente é contínuo e brutal. Mesmo habituado aos disparos de Porsche 911 Turbo, BMW M5 ou Ferrari 458, não fui treinado para algo tão superlativo. Cada reta reduz-se a um instante entre curvas. O cérebro não consegue processar toda a paisagem que passa borrada pelos olhos.

Enfim chegamos à pista. Ela é simples: duas retas e duas curvas com inclinação, uma réplica do oval de Indianápolis. Começo limitado a 200 km/h. Notável como se consegue manter uma conversa sem ter que subir o tom de voz, impressionante como ele entra na curva de piso inclinado sem o menor sinal de instabilidade. Na segunda volta subo a 230 km/h, mas seu comportamento imperturbável parece desafiar as leis da física: quando a pista se torna ainda mais torta, o carro assume a mesma posição, mas com uma neutralidade tal que o piloto só tem de segurar o volante com firme delicadeza. As reduces são feitas nas borboletas do volante para uma desaceleração mais progressiva, evitando transferências de massa que provocariam instabilidade no carro. Ao fim, fui autorizado a acelerar fundo até a área de frenagem para contornar a curva oposta. Uma vez mais a noção de limites de aceleração terrestre pôde ser pulverizada: acelero forte, sinto as costas afundarem no encosto do banco e logo subo de 230 a 345 km/h com grande facilidade, coroando o fim do test-drive dos sonhos.

Ao custo de mais de 2 milhões de euros (1,7 milhão mais impostos que variam segundo o país), o preço é tão estratosférico como o carro em si, mas a emoção sentida ao volante de um Vitesse é a mesma para quem ganha salário mínimo ou para quem é dono de uma fileira de poços de petróleo.



VEREDICTO

Achou os 1001 cv do Veyron normal pouco e quer curtir o vento no rosto? Então o Vitesse foi feito para você.

 
 

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FONTE: Quatro Rodas

Tópico: Bugatti Veyron Vitesse

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