Kia Sportage enfrenta Honda CR-V

Webnode
08-05-2011 15:05

 Novo modelo sul-coreano deixa o líder CR-V em posição difícil. Qual a melhor jogada? 

Fabio Aro

Kia Sportage (à frente) tem atributos para ameaçar a liderança do Honda CR-V

 

 

 

 

 

 

 

 Discordo da máxima de que jornalista é portador de notícia ruim, mas sou obrigado a começar o texto jogando um balde de água fria em quem estava esperando pelo novo Kia Sportage: a previsão do preço inicial de R$ 75 mil não se confirmou, e o carro chegou às lojas a partir de R$ 83.900, com câmbio manual. Para não esfriar muito os ânimos, vale lembrar que ainda assim ele é o mais barato entre os rivais diretos. O Hyundai ix35 sai por R$ 88 mil, o Chevrolet Captiva Ecotec custa R$ 90.299 e o Honda CR-V é tabelado a R$ 88.410, sendo esses dois últimos já com câmbio automático.

A subida de patamar resulta da maturidade dos carros coreanos. Antes, quando seus projetos estavam um passo atrás dos europeus e japoneses, Kia Hyundai tinham de ter preço agressivo para ganhar o consumidor. Agora que o nível dos pro-dutos se equilibrou, os valores acompanharam a evolução. Agora quem vai assumir o antigo lugar dos coreanos são os chineses, mas isso é outra história. Aqui, reunimos as versões 4x4 do Sportage (R$ 103.400) e do líder CR-V (R$ 102.910). E a real é que o coreano deixa o japonês em posição difícil.

Sportage logo se impõe pelo visual musculoso, com linha de cintura elevada e colunas traseiras largas. É um carro que transmite esportividade e robustez. Lançado em 2007, o CR-V foi projetado numa época em que as minivans ainda eram bastante queridas nos EUA. Como resultado, ele herda diversas características desses modelos, como a frente curta, o teto alto, o assoalho plano, o banco traseiro corrediço... Em resumo, só de olhar a gente já saca qual é a deles: o Kia tem perfil jovem, o Honda foi talhado para a família.

 

 Fabio Aro

Lanternas horizontais fortalecem a impressão de robustez do Sportage. CR-V tem traseira de minivan

 

 

 Essa impressão se confirma ao andar nos crossovers. O Sportage traz bancos mais firmes, o volante de três raios tem ótima pegada (embora falte ajuste de profundidade) e o carro reage mais rápido aos comandos. Uma vantagem do Kia está no câmbio automático de seis marchas, contra cinco do rival. Além da marcha extra, que deixa o crossover esperto nas retomadas (por conta das relações mais próximas entre si), ele ainda tem opção de trocas sequenciais pela alavanca. Quando testamos o Sportage pela primeira vez, dissemos que a suspensão filtrava bem os buracos, mas perto do CR-V o Kia é claramente mais rígido, fato reforçado pelas rodas aro 18 com pneus de perfil baixo (235/55). Ainda assim, seu rodar está longe de ser áspero. 

 

Fabio Aro

Esportividade do Kia se repete no interior, com luzes vermelhas e volante mais ergonômico; o CR-V também tem boas soluções de espaço, como a alavanca de câmbio no painel e o porta-luvas duplo

 

 

 Aliás, um crossover que faz curva bem como esse coreano não precisava de um controle de estabilidade tão desesperado, que atua ao menor sinal de derrapagem. E uma direção mais firme seria bem-vinda na estrada. O volante do CR-V, que também traz direção elétrica, sabe ser levíssimo nas manobras e ganhar peso em velocidades elevadas. A suspensão acompanha esse equilíbrio. Não tem a mesma precisão do Kia nas curvas (a traseira balança um pouco), mas administra a buraqueira com maior competência, ajudado pelos pneus 225/65 que vestem rodas aro 17. 

 

Com perfil claramente urbano, ambos não recusam um passeio na terra – desde que seja de leve. Nos dois, a tração normalmente fica concentrada no eixo dianteiro, passando ao eixo traseiro automaticamente quando as rodas da frente patinam. O Sportage leva a melhor por oferecer opção de bloqueio do diferencial central (que divide a tração em 50% para cada eixo), além de ter controle de descidas. Ainda assim, a falta da reduzida e o curso de suspensão pequeno limitam as aventuras no mato.

 

 Fabio Aro

Design revela características dos rivais: perfil esportivo no Sportage e familiar no CR-V

 

 Tanto o Sportage quanto o CR-V (que têm versões com motor 2.4 em outros mercados) se apresentam por aqui nas versões 2.0 16V, que entram numa faixa inferior de tributação. Menos imposto, menos desempenho. Em ambos, especialmente no Honda, a falta de torque é sentida nas ultrapassagens e nas subidas, onde o câmbio logo reduz marcha e o motor se põe a gritar. No Kia a situação é um pouco melhor por conta dos 20,1 kgfm de torque, contra 19,4 kgfm do Honda (que ainda tem uma marcha a menos, lembra?). Em potência, a vantagem é novamente do Sportage, com 166 cv ante 150 cv. Portanto, não foi surpresa ver o coreano à frente na pista: 0 a 100 km/h em 12,5 s, contra 13,3 s, e vitória em duas retomadas. O Kia também freou um pouco melhor e mostrou-se mais obediente nas manobras de mudança de faixa.

 

Na volta dos testes, a conta da viagem foi maior no Sportage. Isso porque ele anda mais, mas bebe no mesmo ritmo: não passou de 10,2 km/l na estrada, ao passo que o CR-V registrou 12,2 km/l. E a história se repetiu na cidade, onde o Kia fez média de 6,3 km/l e o Honda, 8 km/l. Ainda com relação aos custos, o Kia promete valor de seguro parelho ao do rival. E vence fácil na garantia: cinco anos, dois a mais que a oferecida pela Honda.

Fabio Aro
Mais raso, o porta-malas do Sportage leva menos bagagem que o do Honda, que ainda tem uma divisória

Lembra da vocação familiar do CR-V? Pois basta entrar no modelo para notar seu maior espaço, além da visibilidade superior. Por conta da pequena área envidraçada, o Kiatem alguns pontos cegos, especialmente na traseira. Quem viaja no banco de trás do Honda conta com bancos mais macios (principalmente na parte central do encosto, muito dura no Sportage) e que correm sobre trilhos, além de terem o encosto regulável. Na frente, a alavanca de câmbio no painel abre espaço para o motorista e passageiro. Há também dois porta-luvas. Não que o Kiaseja apertado, longe disso, mas nele viajam confortavelmente apenas quatro ocupantes – acima disso, também pode faltar espaço para a bagagem. Aferido, o porta-malas do Sportage tem apenas 350 litros, enquanto o do CR-V oferece 524 litros e ainda vem com uma espécie de prateleira. 

Na cabine, porém, o espaço é a única vantagem doHonda. A Kia foi mais ousada no design interior e ganha na oferta de equipamentos. O painel com iluminação vermelha e instrumentos esportivos é mais vistoso que o azulado do Honda, com grafismo comportado. A escolha de materiais está no mesmo nível. Ambos agradam pela montagem correta e uso de texturas e forrações diversas, mas não espere luxo. Plástico emborrachado no painel você não vai encontrar em nenhum deles, por exemplo. Pelo menos o Kia vem mais recheado: traz chave que dispensa a abertura remota (basta se aproximar e apertar um botão na maçaneta), banco do motorista com ajuste elétrico e sensor de estacionamento. Teto solar duplo e câmera de ré são itens exclusivos da versão top 4x2, de R$ 105.400.

Mesmo com preço acima do esperado, o Sportage engrossa o caldo de rivais que podem, enfim, destronar a liderança de vendas do CR-V. E, nesse caso, a má notícia é apenas para a Honda.

 

 

 

 

 

 

 

 

FONTE: Auto Esporte

 

 

Tópico: Kia Sportage enfrenta Honda CR-V

sportage

alexandre costa 29-04-2012
ta realmente linda,parabens

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